Em resumo
– A taxa EUR/USD consolida-se em torno de 1,1650, sinalizando hesitação do mercado
– Inflação dos EUA segue expectativas, mas confiança do consumidor melhora
– BCE vê riscos de desaceleração da inflação na zona euro apesar do crescimento
– Expectativas de corte de juros pela Fed permanecem inalteradas nos mercados
– Análise técnica aponta possível queda até 1,1589, com suporte chave em 1,1500
O euro sustenta ganhos, mas incertezas com BCE e Fed mantêm o câmbio em compasso de espera
A semana encerrou com a taxa EUR/USD estabilizada na zona dos 1,1650, refletindo um mercado em pausa diante das decisões monetárias cruciais que se aproximam. Apesar de apresentar avanço semanal de 0,39 %, o euro encontrou resistência técnica significativa, enquanto dados econômicos mistos limitaram o apetite por movimentos mais amplos.
Inflação americana e confiança do consumidor moldam o cenário do dólar
Os indicadores divulgados nos Estados Unidos revelaram uma inflação em linha com as previsões: o índice de despesas de consumo pessoal (PCE) registrou 0,2 % em setembro. Em termos anuais, o núcleo do PCE recuou ligeiramente de 2,9 % para 2,8 %.
Ao mesmo tempo, a confiança do consumidor, medida pela Universidade de Michigan, surpreendeu positivamente, com alta para 53,3 pontos acima das expectativas. Notadamente, as expectativas inflacionárias recuaram, com projeções de um ano caindo de 4,5 % para 4,1 %, e de cinco anos de 3,4 % para 3,2 %, o que reforça um cenário de moderação das tensões inflacionárias.
Esses dados não alteraram, contudo, as apostas do mercado. A probabilidade de um corte de 25 pontos-base na taxa básica dos EUA na próxima decisão do Federal Reserve segue em 84 %, segundo a Capital Edge.
O índice do dólar americano (DXY) fechou com leve perda de 0,09 %, aos 98,98 pontos, refletindo um enfraquecimento moderado da moeda diante de um euro resiliente.
Zona euro cresce, mas BCE adota discurso cauteloso
A economia da zona do euro surpreendeu positivamente, com números de crescimento mensal superando projeções. Entretanto, a retórica da BCE permanece prudente. François Villeroy, membro do conselho da instituição, destacou que os riscos de queda da inflação superam os de alta, o que sinaliza uma possível manutenção de sua política atual, mesmo diante de um crescimento mais robusto.
Além disso, o pano de fundo geopolítico notadamente a ausência de resolução no conflito entre Rússia e Ucrânia continua atuando como fator de pressão sobre o euro, apesar de algumas movimentações diplomáticas envolvendo o Kremlin, a Casa Branca e Kiev.
Análise técnica aponta fraqueza do euro com suporte em 1,1600
O gráfico diário da taxa EUR/USD revela um canal de consolidação entre 1,1650 e 1,1700, com sinais de esgotamento no lado comprador. O índice de força relativa (RSI) sugere perda de fôlego e possível inclinação para correções mais profundas.
Caso ocorra o rompimento abaixo de 1,1650, o primeiro suporte relevante será a média móvel simples de 50 dias, em torno de 1,1609. Em seguida, a atenção se volta para a média móvel de 20 dias, próxima a 1,1589. Abaixo disso, o mercado poderá testar o suporte psicológico em 1,1500 ponto-chave que pode redefinir a tendência de curto prazo.











