Banco do Canadá mantém juros, mas alerta sobre desaceleração e inflação persistente

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Por Enzo

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Banco do Canadá mantém juros, mas alerta sobre desaceleração e inflação persistente

Em resumo

  • O Banco do Canadá manteve a taxa básica em 2,25%, como esperado pelo mercado
  • A instituição prevê um crescimento modesto da economia no quarto trimestre
  • A inflação subjacente permanece acima da meta, em torno de 2,5% a 3%
  • O dólar canadense caiu após a decisão, com o par USD/CAD subindo para 1,3860
  • A autoridade monetária admite que a demanda doméstica está estagnada e o hiato do produto está se fechando
  • Novas altas de juros não estão descartadas, mas dependerão da evolução dos dados econômicos
  • O mercado projeta uma retomada do aperto monetário até meados de 2026
  • Tiff Macklem, presidente do BoC, reafirma que as decisões continuarão sendo avaliadas uma a uma

O Banco do Canadá segura os juros, mas o cenário segue pressionado

A decisão do Banco do Canadá (BoC) de manter sua taxa de referência em 2,25% não trouxe surpresas, mas a análise detalhada do discurso de Tiff Macklem reforça a percepção de que a economia canadense atravessa uma fase instável. A terceira reunião consecutiva sem alteração na taxa sinaliza que a política monetária entrou em uma fase de observação, ainda que com pressões inflacionárias latentes e um crescimento modesto pela frente.

Apesar de um terceiro trimestre com desempenho surpreendentemente robusto, impulsionado por uma forte queda nas importações, os dados estruturais revelam uma demanda interna estagnada. Para o quarto trimestre, a projeção é de fraqueza, principalmente por conta do recuo nas exportações líquidas.

Inflação resistente desafia a estabilidade

Os indicadores de preços continuam acima da meta de 2%. O índice CPI subjacente permanece em torno de 2,5% a 3%, enquanto os núcleos preferenciais do BoC como o CPI Comum, o Trimmed e o Median flutuam entre 2,7% e 3,0%. Esses níveis apontam para uma inflação persistente, mesmo com sinais de arrefecimento em alguns setores.

O BoC reforça que a taxa atual ainda é apropriada para manter a inflação sob controle, desde que as projeções se confirmem. No entanto, o banco também deixou claro que está pronto para reagir caso o cenário se deteriore.

Crescimento desacelera e mercado de trabalho se ajusta

Embora o mercado de trabalho mostre alguma recuperação, a criação de empregos não alterou significativamente a perspectiva macroeconômica da autoridade monetária. O hiato do produto diferença entre oferta e demanda agregada está se fechando, o que reduz o espaço para estímulos adicionais.

O orçamento federal canadense, segundo Macklem, não adiciona fortes pressões inflacionárias, mas seu impacto dependerá da velocidade e eficácia da execução das medidas anunciadas.

Dólar canadense perde força após decisão

A reação do mercado cambial foi imediata. O dólar canadense (CAD) sofreu perdas em relação às principais moedas, especialmente frente ao dólar americano, com o par USD/CAD atingindo 1,3860, maior nível semanal. O comportamento do par está influenciado não apenas pela decisão do BoC, mas também pelas perspectivas técnicas, que sugerem espaço para novos avanços do dólar.

O analista Pablo Piovano observa que o CAD vem se valorizando desde as mínimas de novembro, mas a perda de força recente reacende o risco de retorno ao teto de 1,4140, visto no início de novembro. Caso esse nível seja rompido, o próximo alvo técnico estaria em 1,4414.

Por outro lado, suportes relevantes estão localizados em 1,3799 (base de dezembro), seguido de 1,3726 e 1,3556. O RSI abaixo de 36 e o ADX acima de 26 indicam que o movimento atual pode ganhar intensidade.

Política monetária em pausa, mas não encerrada

O BoC parece confortável com os níveis atuais de juros, mas não descarta novos ajustes. A trajetória dependerá da evolução dos indicadores econômicos, especialmente da inflação e do consumo interno. As expectativas do mercado apontam para um novo ciclo de alta de juros até o final de 2026, com cerca de 33 pontos-base adicionais.

Tiff Macklem enfatizou que a abordagem continuará sendo gradual e fundamentada nos dados. A prioridade permanece em conter a inflação sem sufocar uma economia já fragilizada por choques externos e pela reconfiguração das cadeias comerciais.

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Eu analiso todos os dias a atualidade dos metais preciosos para oferecer aos particulares e aos investidores uma análise clara e fundamentada dos mercados de ouro e prata. O meu papel consiste em produzir conteúdos fiáveis, pedagógicos e estratégicos, para ajudar a compreender melhor os desafios económicos, antecipar as tendências e tomar decisões informadas num universo em constante evolução.

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