Em resumo
- O EUR/USD se mantém perto das máximas de dois meses, cotado a 1,1695.
- A postura branda do Fed derrubou o dólar na quarta-feira.
- O clima de aversão ao risco retorna, pressionando ativos e moedas ligadas a crescimento.
- A preocupação com uma nova bolha da IA após dados fracos da Oracle reduz o apetite por risco.
- A análise técnica sugere resistência imediata em 1,1705, mas o momento ainda favorece os compradores.
- A Fed lançou um programa de recompra de títulos de US$ 40 bilhões, pegando os mercados de surpresa.
- No cenário europeu, o BCE indica o fim do ciclo de cortes, sustentando o euro.
Euro pressiona o dólar perto de 1,1700 enquanto o medo de bolha de IA abala os mercados
A cotação do par EUR/USD mantém-se praticamente estável nesta quinta-feira, oscilando em torno de 1,1695, logo abaixo do pico de dois meses registrado acima de 1,1700. A pressão sobre o dólar americano continua após o anúncio surpreendentemente moderado do Federal Reserve, que sinalizou espaço para novos cortes de juros em 2026.
No entanto, o otimismo inicial cedeu lugar à cautela. O mercado global enfrenta um ressurgimento da aversão ao risco, impulsionado por dados financeiros decepcionantes da Oracle. A gigante da computação em nuvem revelou projeções abaixo das expectativas e reacendeu receios de uma bolha especulativa no setor de inteligência artificial.
Fed acomoda e dólar sente o impacto
Na quarta-feira, o Federal Reserve reduziu a taxa de juros em 25 pontos-base, fixando-a entre 3,50% e 3,75%. O comunicado não apresentou divisões significativas entre os dirigentes e o presidente Jerome Powell demonstrou tolerância maior com a inflação. O cenário projetado aponta para ao menos dois novos cortes em 2026, perspectiva reforçada pelo mercado futuro monitorado pela CME FedWatch.
Mais surpreendente ainda foi o lançamento de um novo programa de recompra de títulos públicos de US$ 40 bilhões, com início previsto para 12 de dezembro. A medida visa sustentar a liquidez nos mercados e contribuiu para a pressão adicional sobre o dólar.
Além disso, os investidores começam a precificar a substituição de Powell ao final de seu mandato, em maio, por Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca, conhecido por sua postura ainda mais dovish.
Europa resiste e o BCE adota tom mais otimista
Do outro lado do Atlântico, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, reafirmou a estabilidade da política monetária da zona do euro, durante uma conferência em Londres. Ela sugeriu que as previsões de crescimento podem ser revisadas para cima, reforçando a ideia de que o ciclo de cortes de juros chegou ao fim.
Na ausência de dados relevantes na agenda econômica europeia nesta quinta-feira, o foco recai sobre os EUA. Os números de pedidos iniciais de auxílio-desemprego serão acompanhados de perto, em busca de sinais sobre o mercado de trabalho pós-feriado de Ação de Graças.
Risco de bolha de IA preocupa mercados
O novo fator de tensão veio da Oracle, que falhou em atender as expectativas do mercado para vendas e receitas. A empresa, que firmou um contrato bilionário com a OpenAI e planeja a construção de centros de dados para IA, provocou uma onda de correções nas bolsas asiáticas. O temor de uma bolha semelhante à das pontocom volta a rondar os mercados, com reflexo imediato na queda do apetite por ativos de risco e fortalecimento temporário do dólar como refúgio.
Análise técnica EUR/USD: resistência crítica em 1,1705
O panorama técnico permanece favorável ao euro. O par rompeu a resistência de 1,1680, com o MACD de 4 horas exibindo barras verdes e o RSI positivo, embora ainda distante da zona de sobrecompra.
O primeiro obstáculo se encontra na máxima intradiária de 1,1705, seguida pelos topos de 17 de outubro (1,1730) e 1º de outubro (1,1780). Já os suportes estão localizados nos níveis de 1,1680 (alta de 4 de dezembro), 1,1615 (mínima de 9 de dezembro), e na região de 1,1590 (mínimas de 1 e 2 de dezembro). A estrutura atual favorece novas altas, especialmente se o sentimento de aversão ao risco diminuir.











