Em resumo
- O Federal Reserve reduziu os juros dos EUA para o intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor desde 2022.
- A decisão prioriza a fragilidade do mercado de trabalho frente à inflação ainda acima da meta.
- A maioria do comitê votou por um corte de 0,25 ponto, mas houve divergências internas.
- Powell adota postura cautelosa e afasta novos cortes em sequência.
- Trump planeja substituir o presidente do Fed e aumentar seu controle sobre a política monetária.
- O impacto no Brasil pode incluir valorização do real e menor pressão inflacionária.
O Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos Estados Unidos, levando o intervalo para 3,50% a 3,75% ao ano. Essa é a menor faixa observada desde setembro de 2022. A decisão vem na esteira de um cenário de desaceleração do mercado de trabalho, combinado a uma inflação ainda acima da meta.
Três cortes em 2025, mas sinal de pausa em 2026
Com a medida, o banco central americano acumula três cortes consecutivos ao longo de 2025. Na reunião anterior, realizada em outubro, o juro havia sido reduzido de 4% para 3,75%. Agora, a autoridade monetária indica apenas uma possível redução adicional para 2026, frustrando agentes financeiros que esperavam um ciclo mais agressivo de flexibilização.
A decisão foi aprovada por nove dos doze membros votantes do comitê. O diretor Stephen Miran defendeu um corte maior, de 0,50 ponto, enquanto dois integrantes preferiram manter as taxas.
Powell freia expectativas e reforça abordagem gradual
Após o anúncio, Jerome Powell reiterou que a política monetária dos EUA “não segue um curso pré-determinado” e que o Fed deve “aguardar e observar” a evolução da economia antes de novos cortes. Com juros acumulando queda de 0,75 ponto desde setembro, Powell argumenta que o nível atual já se encontra dentro de um intervalo neutro.
O presidente do Fed destacou ainda os dois pilares de seu mandato: controle da inflação e estímulo ao emprego. Diante da elevação da taxa de desemprego e de sinais persistentes de enfraquecimento do mercado de trabalho, a instituição optou por agir em defesa da estabilidade social e da atividade produtiva.
Inflação ainda elevada, mas sob controle
Apesar da preocupação com o emprego, o nível de preços continua elevado. A inflação medida nos EUA está atualmente em 3%, um ponto percentual acima da meta de 2%. No entanto, o Fed considera que os riscos negativos ao mercado de trabalho cresceram nos últimos meses, tornando esse fator prioritário na condução da política monetária.
Trump aumenta pressão política sobre o Federal Reserve
Nos bastidores, Donald Trump em seu novo mandato como presidente reforça o cerco ao Fed. Crítico ferrenho de Jerome Powell, já anunciou que pretende substituí-lo até maio de 2026, quando termina seu mandato. Entre os nomes cogitados estão Kevin Hassett, Michelle Bowman e Christopher Waller.
Com apoio da maioria do conselho do Fed, Trump poderia ampliar sua influência nos 12 bancos regionais da instituição, interferindo diretamente na arquitetura monetária dos EUA. A nomeação de Stephen Miran, fiel à agenda do republicano, reforça essa estratégia.
Reação dos mercados e impacto no Brasil
A redução dos juros americanos tem repercussões diretas sobre os mercados emergentes. Com as Treasuries (títulos públicos dos EUA) rendendo menos, investidores tendem a buscar retornos mais altos fora dos EUA, favorecendo países como o Brasil. Isso gera pressão de valorização do real e reduz a inflação importada, permitindo mais espaço para o Copom ajustar os juros internos.
Além disso, um dólar mais fraco tende a baratear commodities e insumos, o que pode aliviar custos para empresas e consumidores brasileiros.











