Em resumo
- O preço do ouro ultrapassa os 4.350 dólares no início da sessão europeia.
- Sinais de desaceleração no mercado de trabalho dos EUA pressionam o dólar.
- Expectativas de novos cortes nas taxas impulsionam o metal não remunerado.
- Investidores aguardam os discursos do Fed e os dados de inflação (CPI e PCE).
- A tendência técnica de longo prazo para o ouro permanece positiva.
Mercado de trabalho americano em desaceleração alimenta expectativas de corte de juros
O preço do ouro (XAU/USD) avançou para níveis não vistos há quase dois meses, sendo negociado acima de 4.350 dólares durante as primeiras horas do pregão europeu desta quarta-feira. O movimento é sustentado por dados que apontam para uma moderação gradual na dinâmica do mercado de trabalho dos Estados Unidos, o que enfraquece o dólar e reforça o apetite por ativos considerados porto seguro.
Relatórios recentes de emprego nos EUA, incluindo o payroll de novembro, mostram uma criação de 64.000 postos de trabalho resultado superior à expectativa de 50.000 vagas, mas insuficiente para reverter a tendência de arrefecimento iniciada em outubro. Paralelamente, a taxa de desemprego subiu de 4,4% para 4,6% e os ganhos salariais desaceleraram, crescendo apenas 0,1% no mês.
Esses indicadores reforçam as apostas de que o Federal Reserve poderá acelerar o ciclo de flexibilização monetária, o que reduz o custo de oportunidade de manter ouro um ativo que não gera rendimento.
Expectativas sobre o Fed e atenção aos discursos de hoje
Apesar de o Fed ter promovido um terceiro corte de 25 pontos-base na reunião de dezembro, a divisão interna entre os dirigentes permanece visível. A mediana das projeções sugere apenas uma redução nas taxas em 2026, mas parte dos membros do comitê já sinaliza abertura para múltiplos cortes.
O mercado segue atento aos discursos previstos para hoje de John Williams (Fed de Nova York) e Raphael Bostic (Fed de Atlanta). Comentários mais agressivos poderão fortalecer temporariamente o dólar, limitando o avanço do metal. No entanto, a leitura do mercado indica 75,6% de probabilidade de manutenção dos juros na próxima reunião de janeiro, de acordo com dados do CME FedWatch.
Dados de inflação e tensões geopolíticas aumentam a volatilidade
O foco se voltará na quinta-feira para a divulgação do CPI de novembro, enquanto o PCE métrica preferida do Fed será conhecido na sexta-feira. Ambos os dados são cruciais para calibrar as expectativas de política monetária para o primeiro semestre de 2026.
Adicionalmente, tensões geopolíticas seguem no radar dos investidores. Segundo a Reuters, o ex-presidente Donald Trump teria ordenado o bloqueio de todos os petroleiros sancionados que operam com a Venezuela. A apreensão de uma embarcação pela marinha americana na região acendeu alertas de instabilidade comercial, o que tende a aumentar a demanda por ativos reais como o ouro.
Análise técnica reforça tendência altista do metal
Os indicadores técnicos também sustentam uma leitura positiva para o ouro. No gráfico de quatro horas, o preço se mantém acima da média móvel exponencial de 100 dias e ultrapassa a banda superior de Bollinger (4.305 dólares). O Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias permanece acima da linha média, sinalizando um forte impulso altista no curto prazo.
Caso o XAU/USD consiga romper com firmeza os 4.350 dólares, poderá testar o recorde absoluto de 4.381 dólares nos próximos dias. Em contrapartida, uma reversão acentuada levaria o metal a buscar suporte imediato em 4.271 dólares e, em seguida, na média de 100 dias, situada em 4.220 dólares.











