Em resumo
- A cotação da prata atinge US$ 66,50, próxima ao recorde histórico de US$ 66,89
- O mercado antecipa dois cortes de juros pelo Fed em 2026
- Christopher Waller (Fed) defende redução gradual das taxas para conter o desemprego
- A demanda industrial e solar pressiona ainda mais os estoques
- Déficit global da oferta de prata pode se agravar em 2026
Política monetária americana impulsiona a cotação da prata
A valorização da prata (XAG/USD) continua firme nos mercados internacionais. Nesta quinta-feira, o metal era negociado a cerca de US$ 66,50 por onça troy durante a sessão europeia, a poucos centavos de distância do recorde histórico de US$ 66,89 registrado na véspera.
Esse movimento ocorre em um momento de reprecificação dos ativos em dólar. Investidores passaram a antecipar dois cortes na taxa de juros dos Estados Unidos em 2026, após declarações moderadas de Christopher Waller, membro votante do Federal Reserve e possível futuro presidente da instituição.
Durante um fórum transmitido pela CNBC, Waller defendeu uma queda de até um ponto percentual nas taxas de empréstimo norte-americanas, argumentando que a criação de empregos está praticamente estagnada. Ele propôs ajustes graduais ao longo do próximo ano, ressaltando que, embora a inflação ainda esteja acima da meta, não há necessidade de agir de forma precipitada.
Dados de emprego confirmam desaceleração da economia americana
Os últimos indicadores de mercado de trabalho reforçam a leitura cautelosa. A taxa de desemprego subiu para 4,6% em novembro o maior nível desde 2021, mesmo com uma geração de vagas superior ao esperado. Esse avanço não compensou o enfraquecimento brusco dos dados de outubro.
O próximo dado-chave será o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), cuja divulgação está prevista para o final do dia. A leitura poderá definir os próximos movimentos de política monetária e, consequentemente, impactar o preço de ativos ligados à proteção inflacionária, como metais preciosos.
Oferta apertada e demanda industrial elevam a pressão sobre os preços
A trajetória da prata não se explica apenas pelos movimentos do dólar ou do juro real. A estrutura física do mercado segue extremamente tensionada.
Estoques estão em níveis criticamente baixos, enquanto a demanda industrial segue aquecida, especialmente nos setores de energia solar, veículos elétricos e centros de dados. Esses segmentos, altamente dependentes de prata, têm ampliado sua capacidade de produção em ritmo acelerado desde 2024.
A combinação entre forte consumo físico e déficits persistentes na oferta levou o mercado a registrar cinco anos consecutivos de balanço negativo uma tendência que deve se repetir em 2026. Essa escassez estrutural reforça as expectativas de novas máximas no médio prazo.











