Em resumo
- Redes de pagamento alternativas estão ganhando força localmente e reduzindo a centralidade do dólar.
- A acumulação silenciosa de ouro por países como China e Índia está substituindo gradualmente os ativos em dólar.
- Contratos internacionais começam a ser precificados em moedas diferentes do dólar, reduzindo sua influence global.
O declínio do dólar se intensifica por caminhos discretos, mas implacáveis
A desdolarização não se limita a uma queda brusca e visível do uso do dólar americano. Ela se infiltra, lentamente, por alternativas discretas, que corroem, dia após dia, a centralité monétaire du billet vert. Países e blocs économiques estão implementando mudanças estruturais para reduzir sua exposição ao dólar. Esses movimentos não exigem necessariamente o abandono completo da moeda americana, mas sinalizam o fim de uma exclusividade de plusieurs décennies.
A seguir, três dinâmicas silenciosas que estão minando, sem manchetes sensacionalistas, o domínio do dólar.
Redes de pagamento locais ganham espaço na sombra do SWIFT
A criação de redes de liquidação de pagamentos em moedas locais tem avançado de forma discreta, mas estratégica. Elas representam o primeiro passo para enfraquecer o papel central do dólar nos fluxos internacionais.
O exemplo mais notável é o CIPS, sistema chinês lançado em 2015, que permite liquidações em renminbi para transações transfronteiriças. Embora cerca de 80% das operações ainda utilizem mensagens SWIFT, o crescimento constante do CIPS reflete a busca de autonomia financeira diante de possíveis pressões geopolíticas. Após as sanções contra a Rússia em 2022, a adoção do sistema se intensificou.
Apesar de o volume diário do CIPS (US$ 60 bilhões) ainda estar longe do sistema americano CHIPS (US$ 1.800 bilhões/dia), o movimento é claro: menos dependência do dólar, mais flexibilidade soberana.
Corrida silenciosa pelo ouro: reservas trocam papel por metal
Sem alarde, bancos centrais de países emergentes e desenvolvidos vêm acumulando reservas em ouro, reduzindo sua exposição a moedas fiduciárias, especialmente ao dólar.
A participação do ouro nas reservas internacionais subiu para 24% no primeiro trimestre de 2025, maior nível em três décadas. O dólar, por outro lado, caiu para 42% — seu menor peso desde os anos 1990. O euro manteve-se estável, em torno de 15%.
Essa estratégia de diversificação silenciosa representa uma forma de defesa monetária diante da instabilidade crescente dos ativos tradicionais. Em 2024, o ouro ultrapassou o euro e se tornou o segundo maior ativo de reserva global, refletindo a procura histórica por ativos tangíveis e universais.
Contratos internacionais ganham moedas alternativas
O dólar começa a perder espaço onde sempre foi dominante: nas precificações internacionais. O petróleo, o gás natural liquefeito (GNL) e até metais industriais estão sendo negociados em outras moedas, como o euro ou o yuan.
Essas mudanças não são aleatórias, mas estruturais. A crescente adoção de contratos em moedas locais ou regionais reflete tanto preocupações geopolíticas quanto o avanço de moedas digitais estatais. Trata-se de um processo fragmentado, porém acumulativo, que esvazia silenciosamente a hegemonia do dólar.











