Em resumo
- O preço do ouro voltou a subir e se mantém acima de 4.340 dólares, desafiando a valorização do dólar e o aumento dos juros globais.
- O rendimento dos Treasuries de 10 anos dos EUA alcançou 4,147%, enquanto os juros reais subiram para 1,907%.
- O índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan caiu para 52,9, abaixo das expectativas.
- O presidente do Fed de Nova York afastou mudanças imediatas na política monetária.
- O mercado precifica um corte de juros nos EUA em junho de 2026, apesar da manutenção das expectativas de inflação de longo prazo.
- Tecnicamente, o ouro precisa romper os 4.381 dólares para retomar sua trajetória altista rumo a 4.500 e 5.000 dólares.
Fluxo de segurança sustenta o ouro mesmo com dólar e juros em alta
O comportamento do ouro nesta reta final do ano reforça sua resiliência como ativo de proteção. Nesta sexta-feira, a cotação do metal precioso avançou 0,30% na sessão norte-americana, mesmo diante do fortalecimento do dólar e da elevação dos rendimentos dos Treasuries. O XAU/USD alcançou 4.344 dólares, após ter recuado momentaneamente para 4.309 dólares nas mínimas do dia.
Em uma semana marcada pela liquidez reduzida antes das festas de fim de ano, os investidores seguiram atentos ao comportamento dos indicadores macroeconômicos. Apesar do avanço nos juros e da valorização do dólar, os fluxos defensivos sustentaram o ouro nos patamares elevados da semana.
Sentimento do consumidor fraco reforça atratividade do ouro
A divulgação do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan trouxe um sinal de alerta: a confiança caiu de 53,3 para 52,9 pontos em dezembro, abaixo das previsões. As famílias norte-americanas passaram a prever aumento do desemprego e reduziram suas compras de bens duráveis, o que amplia o clima de incerteza econômica.
Esse cenário ajudou o ouro a se manter atraente, mesmo com um ambiente macro que favoreceria, em tese, ativos atrelados a juros como o dólar e os títulos públicos.
O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, subiu 0,22% para 98,63, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 10 anos subiram para 4,147%. Os juros reais inversamente correlacionados ao ouro avançaram para 1,907%.
O Fed ainda cauteloso quanto aos cortes de juros
O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que não vê urgência em modificar a política monetária atual, adotando um tom mais neutro. Para ele, o recente aumento da taxa de desemprego pode ser resultado de distorções temporárias e não configura, por ora, uma preocupação estrutural.
A inflação de novembro, medida pelo CPI, desacelerou para 2,7%, frente aos 3% anteriores. Apesar disso, analistas consideram os dados voláteis por conta da paralisação de 43 dias do governo federal, que pode ter contaminado estatísticas econômicas.
As apostas de corte de juros pelo Fed na reunião de 28 de janeiro seguem em 22%. Para 2026, o mercado precifica uma redução acumulada de 60 pontos-base, com o início do ciclo em junho.
Perspectiva técnica: consolidação antes da próxima alta?
Do ponto de vista técnico, o ouro enfrenta agora a resistência crítica dos 4.381 dólares recorde do ano até agora. A superação dessa barreira pode destravar o caminho rumo aos 4.400, 4.450 e até 4.500 dólares.
No lado oposto, um retorno abaixo de 4.300 dólares poderia levar o preço a testar os suportes de 4.285, 4.250 e até a marca psicológica dos 4.200 dólares.
Apesar da pausa recente, o desempenho acumulado em 2025 já ultrapassa os 60%, alimentando projeções de que o ouro poderá alcançar os 5.000 dólares no decorrer do próximo ciclo.











