Em resumo
- O índice do dólar (DXY) mantém três dias consecutivos de alta, apesar da inflação abaixo do esperado nos EUA.
- O Federal Reserve cortou os juros em 25 pontos-base, com dúvidas sobre a desaceleração da inflação.
- O euro e a libra esterlina ficaram praticamente estáveis após decisões monetárias sem surpresas do BCE e do BoE.
- O ien japonês recuou com a alta dos juros no Japão, a primeira em meses.
- O ouro segue sustentado por riscos geopolíticos e expectativas dovish do Fed.
- Dados importantes aguardados nos próximos dias incluem o PIB do Reino Unido e dos EUA, além da inflação de Tóquio.
Dólar avança com Fed dovish, mas atenção já se volta ao Japão
As negociações cambiais se mantêm intensas após uma semana dominada por bancos centrais. O índice do dólar americano (DXY) avançou por três sessões seguidas, aproximando-se da região dos 98,60 pontos. A alta ocorre mesmo após a divulgação de um CPI abaixo do esperado nos EUA, que chegou a pressionar momentaneamente o dólar para baixo.
O presidente do Fed de Nova York, John Williams, lançou dúvidas sobre a consistência do dado, ao afirmar na CNBC que a leitura “pode ter sido artificialmente reduzida”. Esse comentário adicionou incertezas ao corte de juros de 25 pontos-base anunciado pelo Fed uma decisão amplamente antecipada.
Dinâmica das moedas: ien se enfraquece, libra resiste, euro estável
A força do dólar se manifestou principalmente frente ao ien japonês, que perdeu 1,20% no dia, à medida que o Banco do Japão elevou sua taxa de referência para 0,75% decisão unânime, mas já precificada. Ainda assim, o movimento foi insuficiente para conter a depreciação da moeda japonesa.
No Reino Unido, a libra esterlina fechou a semana praticamente sem variações, após o Banco da Inglaterra cortar sua taxa básica de 4% para 3,75%. A medida ocorreu após uma desaceleração mais ampla da inflação. Entretanto, dados decepcionantes do varejo (+0,6% anual, mas -0,1% mensal) limitaram os ganhos da libra.
O euro se manteve estável, com o par EUR/USD próximo de 1,1740. O BCE optou por manter os juros, e Christine Lagarde evitou sinalizar qualquer nova trajetória. A unanimidade na decisão afastou o mercado de qualquer especulação imediata.
O ouro se sustenta com apoio geopolítico e Fed menos agressivo
A cotação do ouro permanece em terreno positivo, impulsionada por dois vetores complementares: o posicionamento mais brando do Fed e a persistência dos riscos geopolíticos. Embora o metal não tenha disparado, continua demonstrando resiliência e deve encerrar a semana com ganhos moderados.
Perspectivas: atenção voltada aos próximos dados dos EUA e do Japão
Na próxima semana, a agenda econômica diminui o ritmo devido ao feriado de Natal. Ainda assim, números relevantes serão divulgados:
- Reino Unido: estimativa final do PIB do 3º trimestre, no dia 22 de dezembro.
- Estados Unidos: encomendas de bens duráveis e prévia do PIB do 3º trimestre, no dia 23.
- Japão: no dia 25, serão divulgados o CPI de Tóquio e os dados de vendas no varejo, além de um discurso do governador do BoJ, Kazuo Ueda.
Esses dados poderão redefinir as expectativas para janeiro e fornecer pistas adicionais sobre a força da recuperação global.
Desempenho diário das principais moedas frente ao dólar
Abaixo, a variação percentual do dólar frente às principais moedas globais:
| Moeda | Variação contra USD |
|---|---|
| Iene (JPY) | +1,20% |
| Euro (EUR) | 0,00% |
| Libra (GBP) | -0,06% |
| Dólar CAD | +0,01% |
| Dólar AUD | -0,08% |
| Dólar NZD | +0,16% |
| Franco CHF | +0,09% |
Os dados refletem uma resiliência do dólar em um ambiente de ajustes moderados, especialmente frente a moedas de países com políticas monetárias mais restritivas ou expectativas inflacionárias divergentes.Conclusão: mercados aguardam 2026 com cautela
A força moderada do dólar indica uma transição cuidadosa antes do fechamento do ano. Com os juros globais ajustados e as decisões dos bancos centrais já digeridas, o foco se desloca para os dados finais do trimestre e os primeiros sinais da política monetária de 2026.
A atenção crescente sobre o Japão reforça a complexidade do atual panorama, em que cada ajuste de taxa ou dado inflacionário pode alterar o equilíbrio das moedas globais.











