Em resumo
- O preço do ouro sobe quase 70% em 2025, apoiado por incertezas econômicas e geopolíticas.
- Investidores antecipam cortes adicionais nos juros pelo Federal Reserve em 2026.
- A valorização do ouro é favorecida pela queda do custo de oportunidade em um ambiente de juros mais baixos.
- Relatórios macroeconômicos dos EUA, como o PIB do 3º trimestre, podem gerar volatilidade nos preços.
- A pressão técnica persiste, com o ouro superando a média exponencial de 100 dias e um RSI em zona de sobrecompra.
Tensão global e política monetária alimentam nova disparada no preço do ouro
O ouro ampliou sua tendência de alta e atingiu um novo recorde durante a sessão europeia desta terça-feira. Em 2025, a valorização acumulada se aproxima de 70 %, refletindo o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores diante de um cenário de instabilidade geopolítica persistente e perspectivas monetárias mais acomodatícias nos Estados Unidos.
As expectativas crescentes de que o Federal Reserve (Fed) promova novos cortes nas taxas de juros em 2026 reduzem o custo de oportunidade de ativos que não geram rendimento. Esse contexto favorece diretamente o metal amarelo, tradicionalmente utilizado como reserva de valor em tempos de incerteza.
Crescimento dos EUA, inflação e emprego no radar
O mercado acompanha de perto a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao terceiro trimestre, prevista para esta terça-feira. As projeções apontam para uma taxa anualizada de crescimento de 3,2 %, desacelerando em relação aos 3,8 % registrados no trimestre anterior.
Caso o dado surpreenda positivamente, o fortalecimento do dólar norte-americano poderá exercer uma pressão momentânea sobre o ouro, cotado em dólar. Outras divulgações relevantes do dia incluem os pedidos de bens duráveis, produção industrial e dados do emprego privado medido pela ADP.
Clima geopolítico instável favorece fluxos defensivos
As tensões entre grandes potências seguem em escalada. O presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos consideram manter ou até vender o petróleo apreendido na costa da Venezuela. Em paralelo, a Rússia intensificou seus ataques contra a região de Odessa, no sul da Ucrânia, afetando a infraestrutura portuária e provocando cortes generalizados de energia, conforme reportado pela BBC.
Esses elementos reforçam o apelo do ouro como ativo defensivo. A percepção de risco geopolítico tende a sustentar a demanda por ativos considerados mais seguros, como o ouro físico e seus derivados financeiros.
Técnicos indicam tendência de alta robusta, mas sobrecompra pede cautela
Do ponto de vista técnico, a tendência positiva se mantém firme. O ouro permanece acima da média móvel exponencial de 100 dias, com as Bandas de Bollinger em expansão sinal de intensificação do movimento de alta.
No entanto, o Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias ultrapassa o nível de 70, indicando que o ativo encontra-se em zona de sobrecompra. Esse sinal sugere uma possível pausa no curto prazo antes de uma nova tentativa de avanço.
Se o movimento de alta continuar, o ouro poderá buscar a marca psicológica de 4.400 dólares, com extensão até 4.450 dólares em caso de rompimento sustentado. No lado oposto, os níveis de suporte mais próximos situam-se nos 4.338 e 4.300 dólares, pontos de inflexão recentes no gráfico diário.Conclusão: o ouro no centro da reconfiguração financeira global

A trajetória do ouro em 2025 revela um reposicionamento estratégico dos fluxos globais de capital em direção a ativos tangíveis e fora do sistema bancário tradicional. À medida que se intensificam os riscos macroeconômicos, fiscais e monétaires, o metal precioso retorna ao centro do débat monétaire comme valeur-refuge.











