Em resumo
- O preço do ouro caiu ligeiramente após atingir o recorde de 4.526 dólares.
- Investidores realizaram lucros diante de dados fortes do PIB dos EUA.
- A expectativa de cortes nas taxas de juros pelo Fed em 2026 limita as perdas.
- A tensão entre Estados Unidos e Venezuela reforça a demanda por ativos de proteção.
- Indicadores técnicos mostram tendência de alta, mas com sinais de sobrecompra.
- O mercado aguarda os dados de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
Realização de lucros pressiona o ouro após novo pico histórico
O mercado de ouro iniciou a sessão europeia desta quarta-feira com leve retração, depois de ter atingido um novo recorde de 4.526 dólares por onça. A queda ocorre em meio à realização de lucros por parte dos investidores, estimulada por dados mais fortes do que o previsto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos.
Com a economia americana avançando a uma taxa anualizada de 4,3% no terceiro trimestre bem acima da expectativa de 3,3% o dólar se fortaleceu, tornando o ouro mais caro para compradores estrangeiros. Esse movimento tende a reduzir temporariamente a demanda e gerar correções no curto prazo.
Expectativas sobre o Fed sustentam o suporte técnico
Apesar do recuo pontual, a perspectiva de novas reduções nas taxas de juros por parte do Federal Reserve em 2026 continua a fornecer um piso importante para o ouro. Os mercados já precificam múltiplos cortes diante do enfraquecimento do mercado de trabalho e da moderação inflacionária nos Estados Unidos.
Com juros mais baixos, o custo de oportunidade de manter ouro físico um ativo sem rendimento diminui, o que pode impulsionar novas compras institucionais.
Tensão com a Venezuela alimenta demanda por refúgio
As tensões geopolíticas permanecem como um fator de sustentação para o metal. O parlamento venezuelano aprovou nesta semana uma legislação que criminaliza interferências comerciais e de navegação no país, incluindo o bloqueio de petroleiros. Essa medida foi uma resposta direta às ações recentes dos Estados Unidos contra o setor petrolífero venezuelano, reacendendo o apetite por ativos considerados seguros.
Indicadores técnicos favorecem nova alta, apesar da sobrecompra
Do ponto de vista técnico, a trajetória do ouro segue majoritariamente ascendente. A cotação mantém-se acima da média móvel exponencial de 100 dias, com as Bandas de Bollinger indicando forte continuidade da tendência.
No entanto, o Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias está acima de 70, o que sugere uma condição de sobrecompra. Esse fator pode resultar em pausas técnicas ou fases de consolidação antes de novos avanços rumo ao patamar psicológico de 4.600 dólares.
Caso esse nível seja rompido, o mercado pode mirar rapidamente os 4.650 dólares. Por outro lado, os primeiros suportes aparecem nos 4.338 e 4.300 dólares níveis mínimos registrados nos dias 22 e 17 de dezembro, respectivamente.
Sinais políticos aumentam pressão sobre o Federal Reserve
As declarações recentes de Donald Trump também impactaram o sentimento dos investidores. O ex-presidente afirmou que espera nomear um novo presidente do Fed comprometido com reduções agressivas das taxas de juros. Segundo ele, qualquer nome que discorde desse princípio seria automaticamente descartado.
O conselheiro da Casa Branca, Kevin Hassett, reforçou a crítica, dizendo que o atual Fed está sendo lento na resposta monetária, mesmo com um crescimento robusto da economia.
Essas intervenções geram desconforto nos mercados, que veem riscos crescentes à independência do banco central americano um fator que, paradoxalmente, pode favorecer ainda mais o ouro como proteção institucional.
O que observar nos próximos dias
Os operadores permanecem atentos à divulgação dos pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA, prevista para esta quarta-feira. A estimativa do consenso é de 223 mil solicitações para a semana encerrada em 13 de dezembro, um número próximo ao da leitura anterior (224 mil).
Com os mercados entrando em ritmo reduzido às vésperas do Natal, qualquer surpresa negativa nos indicadores pode gerar movimentos amplificados em ativos sensíveis à política monetária, como o ouro.












