Salários devem subir em 2026, mas abaixo dos anos anteriores: os setores que fogem à regra

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Por Enzo

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Salários devem subir em 2026, mas abaixo dos anos anteriores: os setores que fogem à regra

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  • As remunerações em Portugal devem crescer cerca de 3,5% em 2026, ligeiramente abaixo dos anos anteriores.
  • A inflação esperada é de 2,1%, o que garante aumento real para a maioria dos trabalhadores.
  • Setores como tecnologia, construção e segurança privada poderão ultrapassar a média nacional.
  • O salário mínimo nacional sobe para 920 euros, em linha com o acordo tripartido até 2028.
  • A carga fiscal e os limites do IRS continuam a influenciar o ritmo dos aumentos salariais.

Tendência de moderação marca o ano salarial de 2026

A expectativa de crescimento salarial em Portugal para 2026 mantém um viés positivo, mas menos acentuado do que nos anos anteriores. A redução da inflação e os ajustes fiscais traçam o cenário para um reajuste médio de 3,5% nos salários, segundo dados do estudo “Total compensation”, da consultora Mercer Portugal. Esse valor representa uma desaceleração face a 2025 e 2024.

Inflação em queda influencia decisões salariais

Com a inflação projetada em 2,1% pelo Governo, as empresas voltam a alinhar os aumentos salariais com níveis mais sustentáveis. Para Marta Dias, responsável da Mercer, esse retorno à normalidade reflete a adaptação das organizações ao novo contexto macroeconómico.

Já Pedro Braz Teixeira, economista do Fórum para a Competitividade, lembra que a atualização dos escalões de IRS em 3,5% também pesa: aumentos mais expressivos podem significar maior carga tributária, o que desincentiva os empregadores a subir salários além desse limiar.

Ganho real continua possível para a maioria

Apesar da desaceleração, o panorama mantém sinais positivos. A combinação entre inflação moderada e aumentos médios superiores a 2,1% sugere que a maioria dos trabalhadores terá ganhos reais no rendimento disponível, mesmo com um ritmo menos acelerado.

Segundo Pedro Braz Teixeira, “é muito provável que esses ganhos se verifiquem em média e em grande parte dos casos”. Marta Dias corrobora: as empresas mantêm políticas de valorização superiores à inflação, ainda que mais contidas.

Setores dinâmicos puxam pela média

Determinadas áreas resistem à tendência geral de moderação. Entre os setores que deverão apresentar aumentos acima da média destacam-se tecnologias de informação, construção civil e segurança privada. A escassez de talento em funções especializadas continua a pressionar as empresas a oferecer remunerações mais elevadas.

Pedro Amorim, do ManpowerGroup, reforça essa ideia, destacando a procura por perfis técnicos em áreas como inteligência artificial, cibersegurança, análise de dados, logística, hotelaria e transportes. As competências críticas nessas áreas exigem remuneração competitiva para garantir retenção e atração de profissionais.

Pressão sobre setores com menor margem

Por outro lado, atividades com margens mais reduzidas, como turismo, serviços e comércio a retalho, enfrentam dificuldades adicionais. Muitas pequenas e médias empresas operam com estruturas apertadas, o que limita a capacidade de rever salários de forma expressiva.

Funções com baixo nível de qualificação ou especialização, como os serviços administrativos de rotina ou algumas posições industriais, tendem a manter um crescimento mais tímido no novo ano.

Salário mínimo atinge 920 euros

O valor da retribuição mínima garantida em Portugal sobe para 920 euros em 2026, um aumento de 50 euros em relação a 2025. O reforço cumpre o compromisso assinado no acordo tripartido de outubro de 2024, que prevê acréscimos anuais de 50 euros até 2028.

Apesar das sugestões da UGT para antecipar metas mais ambiciosas, o Governo reafirmou a intenção de respeitar o calendário previamente estabelecido. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, confirmou publicamente que o diploma será publicado “em cumprimento do acordo”.

Objetivo de 1.100 euros até 2029

A meta final do atual Executivo é atingir um salário mínimo nacional de 1.100 euros até 2029. Para isso, será necessário manter o ritmo de aumento até 2028 e aplicar um reforço de 80 euros no último ano. A hipótese de antecipar parte desse esforço para evitar um salto abrupto foi colocada em cima da mesa pela ministra, mas não há sinais de que essa redistribuição comece já em janeiro de 2026.

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Eu analiso todos os dias a atualidade dos metais preciosos para oferecer aos particulares e aos investidores uma análise clara e fundamentada dos mercados de ouro e prata. O meu papel consiste em produzir conteúdos fiáveis, pedagógicos e estratégicos, para ajudar a compreender melhor os desafios económicos, antecipar as tendências e tomar decisões informadas num universo em constante evolução.

4 comentários em “Salários devem subir em 2026, mas abaixo dos anos anteriores: os setores que fogem à regra”

  1. A estabilização das remunerações em Portugal, aliada ao aumento do salário mínimo, reflete um equilíbrio necessário entre crescimento económico e responsabilidade fiscal.

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  2. O aumento do salário mínimo é um passo positivo, mas precisamos garantir que os setores com menos margem também possam acompanhar essa valorização.

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  3. O crescimento moderado dos salários em Portugal é uma oportunidade para reavaliar investimentos a longo prazo, especialmente em setores que ainda apresentam forte demanda.

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