Em poucas palavras
Em 2025, os anúncios espectaculares de Donald Trump sobre o aumento das tarifas aduaneiras provocaram um choque nos mercados mundiais. O temor de uma desaceleração do comércio, inflação elevada e aumento do desemprego foi amplamente antecipado. No entanto, a economia global resistiu melhor do que o esperado, graças à preparação dos agentes econômicos, aos ajustes americanos e à dinâmica comercial de alguns países, como França e China.
Um pânico inicial e previsões alarmantes
Em 2 de abril de 2025, Donald Trump anunciou tarifas aduaneiras nos Estados Unidos consideradas extravagantes sobre uma ampla gama de produtos estrangeiros. A reação dos mercados foi imediata. O S&P 500 caiu 11,5 % em uma semana. As empresas americanas, que supostamente deveriam se beneficiar dessa política, se encontraram desorientadas.
Os economistas previam :
- desaceleração do comércio mundial,
- aumento dos preços nos Estados Unidos,
- incapacidade do Fed de reduzir taxas para apoiar a atividade,
- possível aumento do desemprego.
Essas previsões sombrias alimentaram o medo de um colapso global.
Ajustes americanos e retorno à razão
Rapidamente, ficou claro que as medidas anunciadas não seriam aplicadas na íntegra. Os parceiros comerciais dos EUA iniciaram negociações para suavizar o impacto. A China foi a única a reagir de forma significativa, marcando a confrontação mais nítida.
O próprio Trump recuou em algumas decisões quando seus conselheiros explicaram que tarifas excessivas sobre produtos essenciais reduziriam o poder de compra dos consumidores americanos.
O resultado foi um aumento das tarifas mais moderado, em torno de 14 %, contra apenas 2 % em 2024. O choque permanece, mas não atinge o nível catastrófico previsto.
A economia mundial: melhor preparada do que se pensava
A resistência do comércio global se baseia na antecipação. Desde a eleição de Trump em novembro de 2024, exportadores e importadores ajustaram seus fluxos. As importações americanas aumentaram fortemente desde dezembro de 2024, chegando a mais de 400 bilhões de dólares mensais no primeiro trimestre de 2025.
O déficit comercial americano atingiu 713 bilhões de dólares em oito meses, com picos mensais superiores a 120 bilhões, um recorde histórico.
França e alguns países europeus se beneficiaram dessa dinâmica. As exportações francesas para os EUA cresceram 1 %, melhor do que as da Alemanha (–7 %) ou do Reino Unido (–5 %). A Itália também se destacou, com aumento de 7 % nas exportações.
China e Europa: redistribuição das cartas
A China, em resposta à política tarifária americana, redirecionou suas exportações em grande escala para a Europa. Pequim registrou um superávit comercial superior a 1 trilhão de dólares em onze meses, um recorde histórico.
Esse fenômeno complica a recuperação econômica da Europa, ainda fragilizada pelo aumento dos preços e queda do poder de compra. Apesar disso, a zona do euro deve apresentar crescimento modesto de 1,3 % em 2025. As perspectivas para 2026 e 2027 permanecem cautelosas.
Uma América em duas velocidades
A economia americana apresenta um contraste marcante.
De um lado, os gigantes da tecnologia e inteligência artificial, como Nvidia, Apple, Microsoft e Alphabet, apresentam crescimento espetacular. Nvidia, por exemplo, passa de 1 trilhão para 5 trilhões de dólares de capitalização entre 2023 e outubro de 2025.
Do outro lado, a maioria dos americanos sente os efeitos negativos: criação de empregos baixa, desemprego subindo para 4,4 %, inflação em 3 %, confiança dos consumidores no nível mais baixo desde o final de 2024.
Essa dualidade cria um panorama econômico contrastante, onde a bolsa prospera enquanto a população permanece apreensiva.
O Fed diante de um dilema complexo
O banco central americano precisa equilibrar apoio à atividade econômica e controle da inflação. Uma nova redução das taxas poderia estimular o emprego, mas aumentar a pressão sobre os preços, enquanto uma política mais restritiva limitaria a atividade econômica. O impacto completo do aumento das tarifas ainda não é totalmente perceptível.
O que é importante lembrar
Apesar de uma política econômica arriscada e anúncios de tarifas aduaneiras dramáticas, a economia mundial mostrou resiliência inesperada em 2025. A antecipação dos agentes econômicos, os ajustes americanos e a redistribuição dos fluxos comerciais limitaram os danos. Os mercados financeiros prosperam, principalmente graças à tecnologia e à inteligência artificial, enquanto os lares americanos e algumas economias europeias permanecem sob pressão. O ano de 2026 promete ser prudente, com incertezas persistentes sobre crescimento, emprego e inflação.











