Em resumo
- O Euro avança frente à libra esterlina após dados dececionantes sobre as vendas a retalho no Reino Unido.
- O Banco de Inglaterra cortou a taxa de juro em 25 pontos-base, mas o discurso revela divisão e prudência.
- O BCE manteve as taxas estáveis e reiterou uma abordagem dependente dos dados, sem antecipar cortes.
- Vários dirigentes do BCE alertam para incertezas macroeconómicas persistentes.
- Os mercados agora esperam os dados do PIB britânico, que podem influenciar as próximas decisões.
EUR avança enquanto mercados ajustam expectativas sobre políticas do BoE e do BCE
O par EUR/GBP registou uma valorização moderada nesta sexta-feira, refletindo uma reavaliação do mercado face às orientações de política monetária recentemente anunciadas pelo Banco de Inglaterra (BoE) e pelo Banco Central Europeu (BCE).
Libra sob pressão após dados fracos no Reino Unido
As vendas a retalho britânicas voltaram a dececionar, segundo dados publicados pelo Office for National Statistics. Em novembro, registou-se uma contração mensal de 0,1%, muito abaixo dos +0,4% esperados, após uma forte queda de 0,9% em outubro. Em termos anuais, o crescimento limitou-se a 0,6%, contra previsões de 0,9%.
Esses dados indicam um arrefecimento do consumo privado no Reino Unido, um fator que pressiona a libra esterlina e fortalece o euro no curto prazo.
Banco de Inglaterra corta taxa, mas sinaliza prudência
O BoE anunciou um corte de 25 pontos-base, reduzindo a taxa de referência para 3,75%. Apesar da medida já estar amplamente antecipada, a divisão entre os membros do comitê chama atenção: 5 votaram a favor do corte, enquanto 4 preferiam manter a taxa em 4,00%. A autoridade monetária britânica reconheceu que futuras decisões serão “mais apertadas”, afastando a hipótese de um ciclo agressivo de flexibilização monetária.
Esse tom contido reflete preocupações com a evolução da inflação e com a sustentabilidade de cortes adicionais num contexto de incerteza macroeconómica.
BCE mantém taxas e evita antecipações
Por sua vez, o BCE optou por manter inalteradas as três principais taxas de juro, como esperado pelos mercados. O discurso do banco reforçou o compromisso com uma abordagem dependente dos dados, onde cada decisão será tomada “reunião a reunião”, com base nas informações económicas e financeiras disponíveis, bem como nas pressões subjacentes sobre os preços.
Os comentários de vários dirigentes, como Madis Müller e José Luis Escrivá, sugerem que o horizonte para mudanças nas taxas continua incerto. Müller destacou que o mercado prevê estabilidade durante pelo menos seis meses. Escrivá reconheceu que a direção do próximo movimento ainda está em aberto. Já Álvaro Santos Pereira sublinhou que choques externos continuam possíveis, mesmo com uma política monetária considerada adequada.
Olhar virado para os próximos indicadores britânicos
Os próximos dados macroeconómicos do Reino Unido ganham agora importância. Na segunda-feira, será publicado o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, um indicador que poderá alterar o sentimento dos mercados e influenciar as expectativas de política monetária do BoE.
Evolução do Euro frente às principais moedas
A tabela de desempenho cambial mostra que o euro teve uma performance robusta no dia, especialmente frente ao iene japonês, com uma valorização superior a 1%. Contra o dólar americano, o ganho foi modesto, de 0,09%, enquanto em relação à libra, o euro subiu 0,05%.











