Em resumo
- O euro mantém-se dentro de uma faixa estreita, entre 1,16 e 1,17 dólares.
- O discurso mais agressivo do BCE reforça a expectativa de estabilidade ou alta nas taxas.
- Os mercados futuros agora consideram 50% de chance de aumento de 25 pontos-base até dezembro de 2026.
- O diferencial de rendimento entre França e Alemanha volta a se ampliar com tensões políticas em Paris.
- A média móvel de 50 dias oferece suporte técnico ao par EUR/USD, que ainda exibe tendência levemente altista.
Euro consolida com suporte técnico e cenário macro favorável ao BCE
O euro continua a se mover dentro de uma faixa técnica bem definida, concentrando-se entre 1,1600 e 1,1700 dólares nos últimos dias. Segundo a análise de Shaun Osborne e Eric Theoret, estrategistas-chefes de câmbio do Scotiabank, o movimento atual reflete uma fase de consolidação, mas com viés positivo sustentado principalmente por expectativas em torno da política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
Expectativas agressivas ganham força no BCE
O cenário monetário europeu segue sustentando o otimismo em relação à moeda única. Christine Lagarde, presidente do BCE, deu sinais de revisões altistas nas projeções econômicas, o que pode preparar o terreno para uma posição mais firme na próxima reunião. A instituição deve divulgar suas novas estimativas na quinta-feira seguinte, onde o mercado espera uma manutenção das taxas, mas com tom mais hawkish.
Dentro do próprio BCE, cresce o número de autoridades que passaram a considerar riscos de alta para os juros, abandonando o tom neutro anterior. Isso já se reflete nos contratos de swap: os mercados futuros agora embutem uma chance de 50% de que um aumento de 25 pontos-base ocorra até dezembro de 2026.
Diferença entre BCE e Fed impulsiona EUR
O diferencial de política entre o BCE e o Federal Reserve dos EUA segue sendo o principal catalisador. Caso o Fed opte por cortes de juros mais cedo, como alguns analistas projetam, a divergência em relação ao BCE só aumentará. Essa assimetria tende a favorecer o euro frente ao dólar, especialmente em um cenário onde o BCE permanece firme ou até mais agressivo.
No curto prazo, o fator de risco recai sobre os Estados Unidos. Qualquer surpresa dovish do Fed tende a fortalecer ainda mais a moeda europeia, ao mesmo tempo em que amplia a margem de manobra para o BCE seguir em posição autônoma.
Instabilidade política na França retorna ao radar
Outro fator que voltou a ganhar atenção dos mercados é o contexto político francês. O governo enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento, reacendendo tensões fiscais que haviam sido atenuadas no terceiro trimestre. Os spreads entre os títulos franceses e alemães se ampliaram discretamente, permanecendo, no entanto, dentro dos limites superiores observados em agosto e setembro (acima de 80 pontos-base).
Análise técnica do EUR/USD
Do ponto de vista gráfico, o par EUR/USD permanece sustentado pela média móvel de 50 dias, situada em 1,1604. Embora o euro não tenha conseguido sustentar a quebra da faixa anterior, o momentum ainda é levemente altista, com o índice RSI oscilando nos níveis médios, ao redor de 55 pontos.
A consolidação atual entre 1,16 e 1,17 sinaliza um período de acúmulo antes de possíveis movimentos mais fortes. Um rompimento abaixo da média de 50 dias poderia invalidar o cenário construtivo, mas por ora, a sustentação técnica e o pano de fundo macroeconômico sustentam a perspectiva otimista.











