Em resumo
- Decisões monetárias do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu devem agitar os mercados nesta quinta-feira
- Inflação nos EUA em novembro pode reforçar a resistência do índice de preços ao consumidor
- O dólar americano continua pressionado frente às principais moedas, com destaque para perdas frente ao dólar canadense
- O euro e a libra esterlina oscilam antes das comunicações oficiais do BCE e BoE
- Dados da Nova Zelândia e Austrália impactam pontualmente NZD e AUD
- Ouro registra leve alta, mas permanece abaixo dos 4.350 dólares por onça
Mercados globais de olho em três frentes críticas
O cenário financeiro internacional desta quinta-feira é moldado por três eventos centrais: as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco Central Europeu (BCE), e os dados atualizados da inflação ao consumidor nos Estados Unidos. Juntos, esses fatores devem redefinir o comportamento das moedas principais e ditar o rumo de ativos como o ouro e os índices acionários.
Expectativas moderadas para o BCE e o BoE
No caso do BCE, espera-se manutenção das taxas, marcando o fim do ciclo de 2025 com uma postura cautelosa. Além da decisão, o mercado aguarda com atenção as projeções macroeconômicas revisadas e a coletiva da presidente Christine Lagarde, agendada para 13h45 GMT, que poderá oferecer sinalizações importantes sobre o primeiro semestre de 2026.
Já o BoE enfrenta uma pressão crescente para iniciar um ciclo de cortes, após a divulgação de dados inflacionários mais suaves no Reino Unido. A expectativa predominante é por um corte de 25 pontos-base, embora não esteja prevista conferência de imprensa nesta rodada. A libra recuou frente ao dólar e ao euro, embora tenha mostrado recuperação parcial no final da quarta-feira.
Inflação nos EUA e dólar em modo defensivo
Nos Estados Unidos, a inflação de novembro deverá subir levemente para 3,1% em termos anuais, acima dos 3% de outubro. O núcleo do índice (core CPI), que exclui energia e alimentos, deve se manter em 3%. A confirmação desses números poderá reforçar a ideia de que o Federal Reserve precisa manter uma política restritiva por mais tempo.
O índice do dólar (DXY) opera lateralizado abaixo de 98,50 pontos, refletindo a cautela dos investidores antes da divulgação oficial. Os mercados futuros americanos seguem mistos nesta manhã europeia, enquanto dados secundários, como pedidos semanais de auxílio-desemprego e indicadores regionais de manufatura, também estão no radar.
Desempenho do dólar frente às principais moedas
Os números mostram um dólar globalmente enfraquecido no mês, com perdas acentuadas frente ao dólar canadense (-1,43%), ao euro (-1,26%) e ao franco suíço (-1,03%). A única performance levemente positiva foi registrada contra o iene japonês (+0,20%). A tabela de variação percentual reflete a aversão a risco e a crescente expectativa de fim do ciclo de alta de juros nos EUA.
Outras moedas: Austrália, Nova Zelândia e Japão
Na Oceania, o AUD/USD se mantém perto de 0,6600, pressionado mesmo após uma alta nas expectativas inflacionárias na Austrália (4,7% em dezembro). Já o PIB da Nova Zelândia, com alta anual de 1,3% no terceiro trimestre, não foi suficiente para sustentar o dólar neozelandês, que caiu 0,2% frente ao dólar americano.
Em paralelo, o USD/JPY inverteu a tendência de queda após dois dias e subiu 0,6% na quarta-feira, rompendo a barreira dos 156,00 nesta manhã. O mercado aguarda a decisão do Banco do Japão, marcada para a sexta-feira.
Ouro sobe mas permanece abaixo de resistências
O metal precioso mais tradicional do mercado, o ouro, ganhou cerca de 0,8% na quarta-feira, impulsionado pela fraqueza do dólar e expectativa de estabilidade monetária nas maiores economias. Nesta manhã europeia, o XAU/USD se consolida abaixo de 4.350 dólares por onça, oscilando em uma faixa estreita. A ausência de surpresas por parte do BCE ou BoE pode limitar movimentos de curto prazo.











