Em resumo
- O índice do dólar americano (DXY) recua pelo segundo dia seguido, girando em torno de 98,10.
- Expectativas crescentes de novos cortes de juros pelo Federal Reserve enfraquecem o dólar.
- Divergências internas no Fed persistem, mas o cenário atual favorece uma política mais acomodatícia.
- A instabilidade geopolítica impulsiona a procura por metais seguros como o ouro e a prata.
- Investidores reduzem sua exposição ao dólar diante das tensões entre Ucrânia, Rússia e Venezuela.
Fed dividido aumenta incertezas e pressiona o dólar
O índice do dólar dos EUA iniciou a semana sob forte pressão, ampliando as perdas pelo segundo pregão consecutivo. Durante as negociações asiáticas desta terça-feira, o DXY operava em torno de 98,10 pontos, refletindo um crescente consenso de mercado: o Federal Reserve pode manter o ciclo de cortes de juros em 2026.
Mesmo diante de um discurso menos agressivo de alguns dirigentes, a incerteza sobre a trajetória futura da política monetária permanece elevada. Enquanto o presidente regional do Fed, Beth Hammack, defende uma pausa técnica para avaliar os efeitos dos cortes de 75 pontos-base promovidos no primeiro trimestre, outras vozes dentro da instituição reforçam o argumento por uma flexibilização adicional.
Declarações reforçam expectativa de flexibilização prolongada
Stephen Miran, integrante do Conselho de Governadores, indicou em entrevista à Bloomberg TV que os dados econômicos recentes são compatíveis com seu cenário de desaceleração sem recessão. Para ele, manter os juros elevados por mais tempo pode agravar os riscos de contração econômica. Nesse contexto, a probabilidade de dissenso interno por cortes de 50 pontos-base perde força à medida que os rendimentos caem.
A mensagem é clara: o Fed tende a manter uma postura cautelosa, mas inclinada a novos estímulos, o que alimenta o enfraquecimento do dólar no curto prazo.
Tensão geopolítica desloca fluxo para metais de proteção
Enquanto a autoridade monetária dos EUA avalia seus próximos passos, o mercado global reage a outro vetor de instabilidade: o recrudescimento das tensões geopolíticas. A aversão ao risco alimenta a busca por ativos seguros, e os metais preciosos especialmente o ouro e a prata voltam ao centro das atenções dos investidores.
O panorama é agravado por declarações do ex-presidente Donald Trump, que anunciou a retenção de petróleo confiscado na costa da Venezuela, além da manutenção das embarcações envolvidas. Em paralelo, ataques ucranianos a infraestruturas russas de energia resultaram em danos a dois navios e dois cais no Mar Negro, reacendendo o nervosismo nos mercados emergentes.
Dólar perde espaço para ativos não correlacionados
A conjugação entre expectativa de relaxamento monetário e instabilidade geopolítica pressiona o dólar em múltiplas frentes. A menor atratividade dos rendimentos nominais em dólares, somada ao deslocamento de capitais para ativos tangíveis e não correlacionados, aprofunda a correção do índice DXY, com potencial de ruptura abaixo dos 98,00 pontos.
Com a inflação global moderando, mas os riscos geopolíticos em alta, a busca por estabilidade recai novamente sobre ativos de reserva historicamente confiáveis.











