Em resumo :
- O Índice Dólar (DXY) mantém-se estável próximo de 98 pontos após recuperar perdas recentes
- O mercado precifica dois cortes de juros pelo Fed em 2026, apesar do forte crescimento econômico
- Taxas dos títulos de 2 e 10 anos dos EUA sobem para 3,53% e 4,16%, mas podem voltar a cair
- Kevin Hassett critica o Fed por agir devagar mesmo com um PIB anualizado de 4,3% no 3º trimestre
- Stephen Miran alerta que não flexibilizar a política monetária pode aumentar o risco de recessão
Dólar trava em 98 pontos enquanto o mercado aposta em dois cortes de juros nos EUA
Índice DXY resiste, mas cenário monetário pressiona
O Índice Dólar (DXY), que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas principais, operava em ligeira estabilidade na manhã europeia de quarta-feira, em torno dos 97,90 pontos. Após uma recuperação modesta das perdas da véspera, o índice segue pressionado pelas expectativas crescentes de ajustes na política monetária dos Estados Unidos.
Expectativas de cortes de juros ganham força
A probabilidade de que o Federal Reserve execute dois cortes de juros em 2026 tem ganhado consistência entre os investidores. O volume reduzido nas negociações, típico do período de festas, contribui para a volatilidade dos movimentos recentes no câmbio. Apesar dos sinais positivos vindos dos dados macroeconômicos, o consenso de mercado antecipa uma desaceleração na trajetória da política monetária restritiva.
Títulos do Tesouro reagem, mas sem impulso duradouro
As taxas dos títulos do Tesouro americano de 2 e 10 anos subiram para 3,53% e 4,16%, respectivamente. No entanto, esse movimento pode perder tração caso o mercado continue a precificar cortes na taxa básica. A perspectiva de um Fed menos agressivo nos próximos trimestres gera dúvidas quanto à sustentação do atual patamar de rendimento.
Crescimento robusto desafia a lógica da flexibilização
O PIB anualizado dos EUA no terceiro trimestre cresceu 4,3%, superando as previsões de 3,3% e o desempenho de 3,8% no trimestre anterior. Paralelamente, o núcleo do índice de preços PCE – métrica inflacionária preferida do Fed – avançou 2,9% na base trimestral, dentro das expectativas do mercado. Esses dados confirmam uma economia resiliente, o que torna controversa a expectativa de cortes tão próximos no horizonte.
Críticas internas à atuação do Federal Reserve
O conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou à CNBC que o Fed está reduzindo os juros “de forma demasiadamente lenta”, considerando a força demonstrada pela economia no terceiro trimestre. A crítica sugere que parte do governo espera respostas mais ágeis da autoridade monetária frente ao ciclo econômico atual.
No mesmo tom, Stephen Miran, membro do Conselho de Governadores do Fed, defendeu nesta semana que a ausência de afrouxamento eleva os riscos de uma recessão. Ele acrescentou que, à medida que os cortes de juros avançam, a necessidade de decisões mais agressivas, como reduções de 50 pontos-base, tende a se reduzir.











