Em resumo
• Cotação do ouro recua após atingir US$ 4.353, mas mantém alta semanal de +0,51%
• Incerteza monetária do Fed e fracos dados de emprego nos EUA sustentam os preços
• Negociações entre Rússia e Ucrânia estagnadas reforçam a demanda por ativos de segurança
• O índice DXY do dólar permanece estável, enquanto os rendimentos reais recuam, favorecendo o ouro
• Análise técnica aponta tendência altista com RSI em zona de sobrecompra
Ouro opera com viés positivo após forte rali semanal
Após atingir um pico de sete semanas em US$ 4.353, o ouro (XAU/USD) recuou levemente nesta sexta-feira, sendo negociado a US$ 4.302. A realização de lucros pelos investidores antecede o fim de semana, mas o ativo ainda sustenta ganhos de mais de 0,51% na semana. A leitura dos discursos dos membros do Federal Reserve mantém o foco do mercado na política monetária dos EUA, cuja direção futura permanece incerta.
Federal Reserve dividido amplia volatilidade nos mercados
Embora o calendário econômico americano tenha sido pouco carregado, declarações de dirigentes do Federal Reserve influenciaram os mercados. Dois dos três membros dissidentes alertaram que a inflação segue elevada, especialmente diante da escassez de dados atualizados como o CPI (Índice de Preços ao Consumidor), distorcidos pelo recente shutdown do governo.
O presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, defendeu a manutenção de uma política moderadamente restritiva, destacando a resiliência da atividade econômica e a persistência da inflação. Já Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, mostrou-se mais cauteloso e disse preferir esperar por mais dados, embora projete até 50 pontos-base de corte em 2026 caso a economia desacelere como previsto.
Beth Hammack, do Fed de Cleveland, afirmou que o atual nível da taxa de juros está “próximo da neutralidade”, mas sinalizou preferência por um viés mais apertado para controlar a inflação.
Dados de emprego reforçam cenário de desaceleração
O número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA saltou para 236 mil na semana encerrada em 6 de dezembro, frente aos 192 mil da semana anterior. Já os pedidos contínuos caíram de 1,937 milhão para 1,838 milhão, sugerindo alguma estabilização do desemprego de longo prazo.
Esse enfraquecimento relativo do mercado de trabalho dá suporte à tese de que o Fed poderá flexibilizar sua política em breve, o que por sua vez fortalece a demanda por ouro, considerado tradicionalmente como proteção frente à desvalorização do dólar.
Geopolítica pressiona ativos de refúgio
O impasse nas negociações entre Rússia e Ucrânia segue sem solução. A Casa Branca expressou frustração com a falta de avanços, culpando o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy por não ratificar um plano de paz proposto pelos EUA. Em meio a esse ambiente de incerteza e risco crescente, o ouro retoma sua função clássica de ativo de proteção patrimonial.
Condições técnicas sugerem continuação da alta
A análise gráfica mostra que o XAU/USD mantém uma tendência altista acima dos US$ 4.300. O Índice de Força Relativa (RSI) permanece em território de sobrecompra, sinalizando pressão compradora persistente.
Caso o preço rompa novamente os US$ 4.353, os próximos alvos técnicos situam-se em US$ 4.381 (máxima histórica), depois em US$ 4.400, US$ 4.450 e US$ 4.500. Em contrapartida, uma quebra abaixo de US$ 4.285 pode abrir caminho para correções até os US$ 4.250 ou mesmo US$ 4.200.

Cenário cambial e taxas sustentam o metal
Enquanto os rendimentos do título de 10 anos dos EUA avançam quatro pontos-base para 4,19%, os juros reais recuam para 1,872%, movimento historicamente favorável ao ouro. O Índice Dólar (DXY) permanece estável em 98,35, indicando que o apetite pelo dólar está limitado, o que favorece ativos alternativos como o ouro.











