Em resumo
- O preço do ouro recua levemente enquanto os mercados aguardam a decisão do Federal Reserve
- As apostas apontam para um corte de juros com 90% de probabilidade, mas o discurso de Powell pode contrariar o otimismo
- Investidores observam atentamente o dot plot e as projeções econômicas até 2026
- O índice do dólar cai e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuam, oferecendo suporte ao ouro
- Indicadores do mercado de trabalho nos EUA continuam resilientes apesar da incerteza monetária
- Ouro mantém suporte em US$ 4.200 com tendência de alta técnica, mas sob pressão em caso de tom mais hawkish
O ouro apresenta leve retração nesta quarta-feira, enquanto os investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e a coletiva de imprensa de Jerome Powell. O metal amarelo é negociado a US$ 4.197, após ter atingido uma máxima diária de US$ 4.218.
Expectativa de corte, mas com cautela
O cenário atual é dominado por incerteza estratégica. Embora os mercados precifiquem com 90% de probabilidade um corte de juros pelo Fed, há cautela quanto à possibilidade de um discurso mais conservador por parte do presidente do banco central. O otimismo em relação à flexibilização monetária pode ser moderado por sinais divergentes dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Nas semanas que antecederam esta reunião, dirigentes como Christopher Waller e John Williams sinalizaram uma preparação para suavização monetária. No entanto, a divisão interna no comitê pode obrigar Powell a adotar um tom mais restritivo, reforçando a necessidade de prudência quanto à trajetória dos juros.
Dot plot e projeções de 2026 em foco
Um dos principais focos do mercado será o Resumo das Projeções Econômicas (SEP) e, especialmente, o dot plot, que poderá indicar o ritmo dos cortes de juros até 2026. A ausência de dados recentes, causada pelo encerramento parcial do governo norte-americano, compromete parte das previsões, aumentando a atenção para os próximos indicadores, como o relatório de empregos de novembro (previsto para 16 de dezembro) e o índice de preços ao consumidor (em 18 de dezembro).
Segundo dados publicados pela Bloomberg, o mercado já precifica 50 pontos-base de flexibilização em 2024, reduzindo as expectativas de três cortes inicialmente considerados.
Apoio técnico e fundamentos favoráveis
A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, com o papel de 10 anos recuando para 4,162%, representa um alívio para o ouro. Os rendimentos reais também caem para 1,902%, reforçando o atrativo do metal em um contexto de menor custo de oportunidade.
O índice do dólar americano (DXY) recua 0,22%, situando-se em 99,01, favorecendo os ativos cotados em dólar. Simultaneamente, os dados do mercado de trabalho mantêm o viés positivo: o relatório JOLTS apontou 7,67 milhões de vagas abertas em outubro, e o relatório da ADP sinalizou uma recuperação no ritmo de contratações por empregadores privados.
Análise técnica: suporte em US$ 4.200 e viés de alta
O panorama técnico segue construtivo. O Índice de Força Relativa (RSI) aponta manutenção do impulso positivo, ainda que o metal esteja sujeito a correções caso Powell sinalize uma política mais dura.
O nível de US$ 4.200 representa um ponto de inflexão. Abaixo desse patamar, os suportes seguintes estão na média móvel simples de 20 dias em US$ 4.153, depois em US$ 4.090 (50 dias), até o piso psicológico de US$ 4.000. Por outro lado, uma posição dovish do Fed poderia impulsionar o ouro até US$ 4.300, mirando a máxima histórica de US$ 4.381.











