Em resumo
- O preço do WTI recua para 57,80 dólares, pressionado por declarações de Donald Trump.
- O ex-presidente norte-americano admitiu que pode vender o petróleo venezuelano apreendido recentemente.
- Conflito no Mar Negro agrava receios de ruptura na oferta energética global.
- Os mercados aguardam o relatório de estoques da API americana, decisivo para o próximo movimento do WTI.
WTI pressiona abaixo de 58 dólares após declarações de Trump
O contrato West Texas Intermediate (WTI) recua para 57,80 dólares nesta terça-feira nas primeiras horas da sessão europeia. O movimento de correção segue uma valorização superior a 2% registrada no dia anterior. O gatilho imediato veio de falas de Donald Trump, que voltou a se posicionar sobre o petróleo venezuelano apreendido pelas autoridades norte-americanas.
A possível liberação de barris venezuelanos no mercado
Durante entrevista repercutida pela Reuters na noite de segunda-feira, Trump indicou que os Estados Unidos “talvez vendam, talvez mantenham” o petróleo confiscado recentemente nas águas próximas à Venezuela. O ex-presidente foi além, sugerindo ainda que os navios também seriam retidos, podendo ser utilizados para reforçar as reservas estratégicas de petróleo dos EUA.
Essa sinalização de possível entrada de barris não planejados no mercado gerou receio entre os investidores, num momento em que a fragilidade do equilíbrio entre oferta e demanda global continua latente. A liberação súbita desses volumes apreendidos pode aumentar a pressão baixista sobre os preços futuros do petróleo bruto.
Tensões no Mar Negro elevam o risco geopolítico
Paralelamente, o conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a escalar, especialmente na região de Odessa. Relatórios da segunda-feira indicam que Moscou intensificou ataques contra infraestrutura portuária e redes de energia, causando apagões generalizados. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os bombardeios buscam sufocar o acesso do país às rotas marítimas comerciais.
Essa deterioração do contexto militar reforça a percepção de risco quanto a possíveis interrupções de fornecimento, sobretudo nos corredores logísticos do Mar Negro, que ainda exercem papel relevante na distribuição regional de energia.
Estoques da API podem mudar o rumo do mercado
O foco do mercado se desloca agora para a divulgação, prevista para o final do dia, do relatório da American Petroleum Institute (API) sobre os estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos. Uma redução acima do previsto pode indicar aceleração da demanda e sustentar os preços do WTI. Por outro lado, uma reposição elevada dos estoques sinalizaria excesso de oferta ou desaquecimento na procura, o que pode acentuar a queda em curso.
Os próximos dias prometem ser decisivos para o mercado de petróleo bruto, cuja volatilidade permanece estreitamente ligada ao xadrez geopolítico e às decisões estratégicas de grandes produtores e consumidores.











