Em resumo
- Trump sinaliza a intenção de substituir Jerome Powell no comando do Fed a partir de maio de 2026.
- Os nomes cotados são Kevin Warsh, ex-governador do Federal Reserve, e Kevin Hassett, ex-chefe do Conselho Econômico Nacional.
- Warsh teria sido pressionado durante uma reunião de 45 minutos na Casa Branca sobre sua disposição em apoiar juros mais baixos.
- Trump insiste que o próximo presidente do Fed deverá consultá-lo sobre a política de taxas de juros.
Trump define cenário para retomada de controle sobre a política monetária
A menos de um ano das eleições presidenciais de 2026, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já sinaliza movimentos decisivos para moldar o futuro da política monetária norte-americana. Em entrevista ao Wall Street Journal, Trump revelou que seus dois nomes preferidos para assumir a presidência do Federal Reserve são Kevin Warsh e Kevin Hassett, ambos com histórico alinhado a uma visão mais conservadora e pró-crescimento da economia.
Os dois Kevins: perfis conservadores e afinados com Trump
Durante a entrevista, Trump declarou abertamente sua preferência: “Sim, acho que ele [Warsh] está no topo da lista. Acho que temos Kevin e Kevin. Os dois são ótimos.” A repetição do elogio aos dois economistas revela um desejo claro de cercar-se de perfis leais e que compartilham sua abordagem de redução agressiva dos juros.
Kevin Warsh, ex-governador do Fed entre 2006 e 2011, é conhecido por seu posicionamento crítico à política de estímulos prolongados. Já Kevin Hassett, ex-chefe do Conselho Econômico Nacional sob a gestão Trump, ganhou destaque por defender cortes fiscais e medidas de flexibilização regulatória.
A reunião de 45 minutos que pode definir o futuro do Fed
Fontes próximas ao encontro relataram que Warsh foi convocado para uma reunião na Casa Branca com duração de 45 minutos, durante a qual Trump o pressionou diretamente sobre sua disposição em manter uma postura favorável a juros baixos. Esse ponto é crucial, já que o ex-presidente deseja que o próximo líder do Fed atue em consonância com a Casa Branca inclusive em decisões tradicionalmente independentes como o ajuste da taxa básica de juros.
Trump deixou claro que espera um relacionamento mais direto com o futuro presidente do Fed: “Acho que o próximo presidente precisa me consultar sobre onde fixar os juros.” Tal afirmação sinaliza uma ruptura com o modelo tradicional de autonomia institucional do banco central.
Uma nova era de política monetária politizada?
A possível nomeação de Warsh ou Hassett em 2026 não se limita à substituição de Jerome Powell. Ela representa a tentativa de Trump de redefinir os limites entre política fiscal e monetária, abrindo espaço para intervenções diretas na definição dos rumos da taxa de juros, com foco explícito no crescimento de curto prazo.
A postura de Trump tem implicações profundas para os mercados financeiros globais, sobretudo num cenário já marcado por tensões inflacionárias, ajustes fiscais agressivos e um dólar sous pression internationale. Caso um dos dois “Kevins” assuma o cargo, espera-se uma inclinação clara em direção a uma expansão monetária orientada politicamente.











