⚡Libra Fast
• O índice PSI subiu 29,58% em 2025, a melhor performance desde a crise de 2009
• BCP disparou quase 93%, seguido pela valorização de 76% da Sonae
• A bolsa portuguesa superou Frankfurt, Paris e Londres
• O contexto europeu foi marcado por novos recordes e pela queda das taxas
• Analistas apontam 2026 como um ano de maior seletividade no mercadoPontos-chave gerados por IA
A bolsa portuguesa ressuscita com força após anos de performance tímida
O ano de 2025 ficou marcado por uma reversão de ciclo notável no mercado acionista português. O índice PSI, que encerrou 2024 em ligeira queda de 0,3%, contrariando a tendência global, recuperou terreno com uma valorização de 29,58%, impulsionado principalmente pelos desempenhos fulgurantes do BCP e da Sonae.
Trata-se do melhor resultado anual desde 2009, quando a bolsa lisboeta disparou 33,47% na esteira da crise do subprime. Com este desempenho, Lisboa posicionou-se entre os mercados mais rentáveis da Europa, ultrapassando pesos pesados como Paris (+10%), Frankfurt (+23%) e Londres (+22%).
Um ano que começou com receios e terminou em euforia
Apesar de um início marcado por tensão geopolítica com os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente e por incertezas económicas agravadas pelas medidas protecionistas nos EUA, os mercados acabaram por ganhar tração ao longo do ano.
O relaxamento das políticas monetárias, associado ao ambicioso plano alemão de 500 mil milhões de euros para infraestruturas e defesa, reverteu o sentimento dos investidores. Os índices europeus acompanharam a maré positiva de Wall Street: o Stoxx 600 subiu 16%, com destaque para os setores bancário (+67%) e de defesa (+57%).
Lisboa brilha entre os grandes centros financeiros
Num universo agora composto por 16 cotadas após o regresso da Teixeira Duarte à bolsa, o PSI beneficiou de uma reavaliação acentuada dos múltiplos. A dinâmica de fluxo num mercado de menor dimensão contribuiu para esta valorização intensa.
BCP, com uma subida de 92,86%, liderou os ganhos, seguido de perto pela Sonae, que avançou 76,37%. Apenas quatro empresas terminaram o ano em terreno negativo: Corticeira Amorim, Altri, Navigator e Galp.
Segundo João Queiroz, responsável de operações no Banco Carregosa, o PSI recompensou empresas com maior visibilidade estratégica, penalizando aquelas cujo ciclo operacional se revelou mais incerto ou difícil de interpretar.
Crescimento acima da média europeia previsto para 2026
As perspetivas para o próximo ano mantêm-se otimistas. Pedro Barata, gestor de ações nacionais na GNB, destaca fatores como o baixo desemprego, a redução do rácio dívida/PIB e uma inflação controlada em torno dos 2% como pilares de suporte ao crescimento.
A estes dados somam-se a subida do salário mínimo, a descida do IRS e o aumento do investimento público, em grande parte viabilizado pelos fundos PRR. Neste cenário, é previsível que empresas ligadas ao consumo e à economia doméstica mantenham uma trajetória ascendente.
2026 promete ser um teste de exigência para os investidores
A seleção de ativos deverá ganhar preponderância nos próximos trimestres. João Queiroz antecipa uma maior dispersão entre vencedores e perdedores, com os investidores a exigirem mais clareza operacional, margens robustas e fluxos de caixa consistentes.
Para António Seladas, da AS Independent Research, o enfraquecimento do dólar poderá penalizar os exportadores, mas a procura interna deve manter-se resiliente, o que poderá suavizar as flutuações setoriais.












Achei muito interessante a recuperação da bolsa portuguesa! Poderia explicar mais sobre como isso impacta as empresas? Tenho curiosidade sobre o mercado.
Apesar da euforia atual, muitos ignoram os riscos crescentes. O mercado pode estar ensaiando uma correção perigosa que os otimistas só vão perceber tarde demais.